João Kepler, do Bossa Nova

06 out O que a Bossa Nova procura em uma startup ao investir

Os empreendedores da 10ª turma de aceleração da ACE ficaram em silêncio quando João Kleper, sócio da Bossa Nova Investimentos, disse que revelaria a melhor startup do mundo. “Não a vendo por dinheiro algum”, afirmou João, antes de sorrir e mostrar, num vídeo, a montagem de um smartphone replicando maços de dinheiro. Risos à parte, um recado foi dado: negócios precisam ter valor — e multiplicá-lo.

Convidado para palestrar no quarto dia do Wizard, nesta quinta-feira (05/10), Kepler abriu um leque de histórias e lições – além de explicar com mais detalhes o deal fechado entre ACE e Bossa Nova.

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Na maior parte do tempo, Kepler falou sobre sua relação íntima com o ecossistema empreendedor.

Quando me perguntam por que invisto em startups, respondo que o capital intangível, o intelectual, hoje tem muito mais valor do que o tangível.João Kepler, da Bossa Nova

O que desperta o interesse de um fundo como o Bossa Nova?

João também apresentou cases de startups em que já investiu. Ao comentar o que desperta o interesse do Bossa Nova ao avaliar um investimento, elencou cinco fatores:

1. a startup deve ser essencial,
2. de nicho,
3. com receitas recorrentes,
4. escalável e
5. dona de uma causa – um diferencial importante.

No fim, procuramos startups que provem um caminho claro para breakeven.João Kepler, da Bossa Nova

As transformações no mercado, a partir da revolução digital conjugada a novas preocupações, como sustentabilidade de relevância social, também foram tema do bate-papo. João lembrou que as empresas tradicionais se relacionam cada vez mais com o ambiente das startups inovadoras – um reflexo claro que de que o mercado, de fato, já é outro, e que abre muitas oportunidades.

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Para fechar sua fala, João decidiu retribuir a acolhida dos presentes e contar – agora sem brincadeiras – qual foi a melhor startup em que já investiu. Como recompensa pelo trote anterior, mostrou não apenas uma, mas logo três: seus filhos, todos empreendendo em diferentes níveis de maturidade e idades, aprendendo desde cedo a trilhar seus próprios caminhos.

empreendedores falam sobre a jornadaStartup Nutella? É melhor não

Além de João, outros três convidados ajudaram a movimentar o penúltimo dia do Wizard. Carolina Rocha, da Pet Anjo, Marcelo Furtado, da Convenia, e Shane O’Grady, do LoveMondays – todos ex-acelerados da ACE – contaram suas experiências e desafios. Eles também desmistificaram ideias comuns a novos empreendedores, num bate-papo mediado por Ítalo Nascimento, acelerador da ACE em Goiânia.

Marcelo falou sobre a importância de não se deixar seduzir pelo glamour de empreender. “É preciso tomar cuidado com o hype do termo startup”, disse.

Segundo ele, videogames foram retirados do escritório da Convenia para eliminar o caráter descolado que instiga muita gente a desejar trabalhar numa startup (e, por isso, pode trazer expectativas erradas).

Quero que os profissionais cheguem para trabalhar, dar o seu melhor e voltar para casa cedo.Marcelo Furtado, da Convenia

Entre visões bastante honestas da vida de empreendedor, Carolina aproveitou para fazer um pedido. “Parem de venerar o trabalho infinito”, disse. “Trabalho bem feito não se mede em tempo, mas em qualidade.”

Ela ainda recomendou aos empreendedores que sempre separem um tempo para si, independentemente da intensidade da fase de aceleração – e principalmente por causa dessa intensidade. “Minhas melhores ideias aparecem quando me permito ter um tempo”, afirmou.

Quanto aos principais desafios já enfrentados, os três foram unânimes ao citar questões societárias – principalmente quanto a relacionamento. “É algo muito maior do que um casamento — e, para funcionar, transparência é essencial”, afirmou Shane.

O tema veio a calhar: os empreendedores já tinham, no início da tarde, iniciado uma discussão a esse respeito.

startups da ACE no WizardTer sócio é padecer no paraíso

Entre os temas práticos das primeiras palestras do dia, houve uma sessão sobre resolução de conflitos. As aceleradas Carina Abud de Alvarenga, Daniela Fabbracini e Claudia Frankel Grosman contaram suas experiências no mercado de mediação, onde atuam com a startup Open Deal.

Há conflito quando pessoas de diferentes percepções e vivências consideram que suas verdades são absolutas.Carina Abud de Alvarenga, da Open Deal

As empreendedoras aproveitaram para mostrar que o conflito, em si, não é o problema.

É importante não evitar o conflito. Trazer questões à tona e discuti-las pode render entendimentos e conclusões importantes, quando a situação é bem administrada, com empatia e atenção.Claudia Frankel Grosman, da Open Deal

Quase ao final da palestra, as empreendedoras pediram a todos que tivessem uma conversa franca com seus sócios – ali mesmo, naquela hora –, para discorrer sobre as habilidades de cada um, as diferenças entre eles as expectativas individuais para os próximos anos. Ao final, perguntaram se, para alguém ali, aquele tipo de conversa era novidade.

Ninguém levantou a mão – dando a entender que todos tinham esse hábito saudável. LG Lima, acelerador da ACE, desconfiou. “Eles devem estar mentindo”, disse, do fundo da sala. Todos riram – mas não negaram.

A melhor aceleradora

O Wizard é um bom exemplo de por que a ACE é a melhor aceleradora do país. A imersão proporcionada aos empreendedores desde o primeiro dia de aceleração ajuda muito no desenvolvimento das empresas.

Por isso contamos com seu apoio no Startup Awards, principal prêmio do ecossistema empreendedor do Brasil.

Indique a ACE para melhor aceleradora do Brasil

— Hugo Vidotto, especial para o Blog da ACE

Gabriel Ferreira
gabriel@goace.vc

Gabriel Ferreira trabalha na área de conteúdo da ACE



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